Apetite I

Eu tinha 15 anos (meu cabelo chegava ao joelho) e estava sentada na primeira carteira da sala, um livro comigo. O que você tá lendo?, me perguntou puxando o livro (ele apertava os livros mais do que as outras pessoas). Disse então alguma coisa que não lembro, ajeitou os óculos e, por tique ou por necessidade, enrugou os olhos pra ler em voz discreta INSÔNIA
Não durmo, nem espero dormir.
Nem na morte espero dormir.
Espera-me uma insônia da largura dos astros,
E um bocejo inútil do comprimento do mundo.
Não durmo; não posso ler quando acordo de noite,
Não posso escrever quando acordo de noite,
Não posso pensar quando acordo de noite
Meu Deus, nem posso sonhar quando acordo de noite!

A voz, as pausas e os olhos, que subiam da página pros meus olhos, ficaram gravados nesse poema até sempre. É um vídeo que vejo toda vez que não consigo dormir, ou toda vez que releio Não durmo, nem espero dormir. Nem na morte espero dormir.

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Sobre juliana bernardo

Poeta, taróloga e mochileira. Publicou Carta Branca e Vitamina (Patuá, 2011| 2013). Desde 2012, organiza saraus, debates e rodas de conversa sobre escrita e publicação. Coeditou a Coleção Edições Maloqueiristas (2014), que reuniu 26 títulos entre poesia, ficção e teatro marginal. Cursou Filosofia, na USP, e escreve sobre as medicinas da floresta e o candomblé. Também atua como terapeuta de ThetaHealing. Agende sua consulta de Tarot ou TethaHealing! orugidodoleaonaocabenajaula@gmail.com 11 966815823 Ver todos os artigos de juliana bernardo

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