último poema para o Vitamina

 

 

 

a quem diz que mulher nasceu pra esperar

respondo que mulher nasceu pra se atrasar

os quinze minutos de praxe

e pra chegar no ápice

como se escalasse o Everest num lance

e o ar rarefeito lhe desse o feitiço

de viver no transe

entre chegar e não chegar

no trânsito

entre depois e já

mulher nasceu pra fazer a mala

e partir sem se explicar

 

 

 

 

Esse foi o último poema que escrevi pro meu segundo livro, Vitamina, na noite em que me dei conta que ele estava perto de ir pro mundo. Mesma noite em que fugi de um lugar pela janela, me perdi às 5h da matina na chuva e, de tão cansada, cruzei a cidade dormindo, sem me importar com o taxista que ouvia Roberto Carlos no último volume. Quando penso nessa noite, me vejo de um lado para o outro carregando meu violão. Estranho, na verdade, eu estava sozinha.

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Sobre juliana bernardo

Poeta, taróloga e mochileira. Publicou Carta Branca e Vitamina (Patuá, 2011| 2013). Desde 2012, organiza saraus, debates e rodas de conversa sobre escrita e publicação. Coeditou a Coleção Edições Maloqueiristas (2014), que reuniu 26 títulos entre poesia, ficção e teatro marginal. Cursou Filosofia, na USP, e escreve sobre as medicinas da floresta e o candomblé. Também atua como terapeuta de ThetaHealing. Agende sua consulta de Tarot ou TethaHealing! orugidodoleaonaocabenajaula@gmail.com 11 966815823 Ver todos os artigos de juliana bernardo

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